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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Dormir Pouco Altera Níveis Hormonais e Favorece Obesidade




          Dormir menos do que o necessário mexe com os hormônios, que podem aumentar o apetite e favorecer a obesidade. A conclusão é fruto de uma grande revisão de artigos médicos, publicados no período de 1996 a 2011.
          Os autores do estudo, veiculado no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, são cientistas da Universidade Estadual da Pensilvânia, EUA, que elaboraram tabelas comparativas sobre o funcionamento do metabolismo e o consumo energético dos pacientes.
          Segundo eles, os níveis de hormônios como grelina (que controla e fome) subiram e os de leptina (que age sobre o apetite e o gasto de energia) diminuíram durante a privação de sono, o que pode causar ganho de peso.
          As taxas de insulina, glicose e cortisol (hormônio do estresse) das pessoas também foram analisadas.            
          Assim, verificou-se uma menor sensibilidade à insulina, podendo aumentar o risco de diabetes.
          Liderados pela professora de ciências da nutrição, Sharon Nickols-Richardson, os pesquisadores afirmaram que a mudança no estilo de vida, como focar na alimentação e na atividade física, é fundamental para o controle da gordura corporal.
          No entanto, ressaltaram que dormir bem também ajuda a regular o balanço energético.
          Estatísticas americanas apontam que mais de 35% dos adultos estão obesos e 28% dormem menos de 6 horas por noite.
          Mesmo assim, a pesquisa esclarece que novos trabalhos são necessários para determinar os efeitos da privação de sono sobre a composição corporal.





domingo, 12 de agosto de 2012

Consumo de medicamentos ‘off label’ dispara no tratamento da obesidade no Brasil


Uso de Drogas para Outras Doenças Cresce no Tratamento da Obesidade



     Segundo reportagem publicada, no último dia 5 de agosto, em O Estado de São Paulo, o consumo de remédios off label (indicação fora da bula) de drogas para epilepsia, depressão e diabetes disparou no Brasil. Dessa vez, como “alternativas” no tratamento da obesidade. Isso menos de um ano após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter proibido a venda de medicamentos derivados de anfetamina para tratar a doença.
     Como as opções que restaram – sibutramina ou orlistate – para o tratamento da obesidade não são eficazes para todas as pessoas, as que não conseguem emagrecer com essas substâncias têm tomado medicamentos à base de topiramato, liraglutida, bupropiona e metformina.
     Essas substâncias não são proibidas, mas também ainda não foram aprovadas para o tratamento da obesidade, apesar de conseguirem a perda de peso do paciente.


Falta de Opção
     De acordo com o levantamento do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (Sindusfarma), feito a pedido do jornal O Estado, a venda dessas quatro drogas aumentou acima do crescimento do mercado. Isso mostra que a falta de opção de remédios para emagrecer tem feito médicos as prescreverem.
Para se ter uma ideia, o anticonvulsivante topiramato teve seu consumo elevado em 64% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2010, antes da Anvisa proibir três dos medicamentos usados para emagrecer (anfepramona,femproporex e mazindol).
     Lentidão cognitiva, diminuição do raciocínio, esquecimento de palavras em um discurso e malformação fetal (risco de lábio leporino) estão entre os principais efeitos colaterais do topiramato. 
Em setembro do ano passado, apontada em uma revista como droga “milagrosa” para perder peso, a liraglutide, recomendada para tratamento do diabetes e vendida com o nome de Victoza, obteve uma explosão de vendas.     Já o antidepressivo bupropiona cresceu 54,6% nos seis primeiros meses de 2012 em relação ao mesmo período de 2010, segundo a reportagem de O Estado de São Paulo.
Ainda na reportagem, a metformina, indicada para diabetes, teve o maior aumento: 100%. Mas essa porcentagem pode ser explicada porque o medicamento passou a ser fornecido de graça na Farmácia Popular.


Especialistas Comentam
     Os especialistas Walmir Coutinho, presidente da Associação Internacional para Estudo da Obesidade; Márcio Mancini, chefe do setor de obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo; e Mario Saad, do Laboratório de Pesquisa em Resistência à Insulina da Unicamp, foram alguns dos entrevistados sobre o assunto.
     Segundo Walmir Coutinho, um terço dos pacientes não responde bem à sibutramina e muitos não se adaptam ao orlistate. Assim, ele afirmou ser natural que pessoas tentem tratamentos não indicados nas bulas, uma vez que “a Anvisa retirou três bons medicamentos do mercado”.
     No entanto, o Dr. Walmir alerta ser inaceitável que médicos prescrevam essas drogas a pacientes que só precisam perder três ou quatro quilos.
     O Dr. Mancini ressaltou ser previsível o crescimento no consumo de qualquer medicamento para a perda de peso. 
     Já o professor Mário Saad estudou o mecanismo de ação do topiramato em ratos e descobriu que ele diminui a ingestão de alimentos e aumenta o gasto energético, mesmo sem exercício. "Não podemos fechar os olhos para uma doença crônica como a obesidade. Precisamos dar uma resposta à população que ficou desassistida", declarou.



FONTE: Abeso (http://www.abeso.org.br)